quinta-feira, 8 de julho de 2010

Cenouras são mais laranja que laranjas, e mesmo assim são cenouras


Estive eu a matutar cá com meus botões e senti-me encantada com o poder que a nomenclatura exerce sobre uma pessoa ou coisa de forma tão arrebatadora que não nos permite se quer o prazer de espantar-se.


Tomemos como exemplo à laranja, sabe-se que a laranja tem cor amarela e que a cenoura é muita mais laranjada que a própria laranja. No entanto, a cenoura não é chamada de laranja, curioso...


Sei que pode parecer estranho, mas não é não, as pessoa tem a mania de confusão; Outro exemplo, é a Guerra do Paraguai, todos sabemos que um dos grandes nomes daquela guerra foi o general Cachias, daí todo mundo que é severamente correto acaba tomando o nome do capitão, assimila-se uma coisa a outra ou difundem coisas extremamente semelhantes fazendo uma confusão tão grande quanto as palavras aqui escritas.


Costuma aqui, nos últimos meses, fazer assimilações desproviadas de nexo, ouvir determinado nome e julgar a pessoa sem antes conhecê-las, dizem que Marias são vulgares, que Pedros são falsos e que brasileiros são preguiçosos, será mesmo? Será que é correto permitir que simples códigos de nomenclatura influenciem tanto em nossas vidas? Será que não é evidente que cenouras são laranja mesmo sem carregar esse nome consigo? Ou que a laranja não é laranja mesmo sendo chamada de tal?


Tudo bem, sei que parece uma filosofia abstrata, mas é apenas a realidade, afinal é muito difícil ter um nome comumente aderido pela população e ser taxado como todos os outros indivíduos que o possuem. Isso definitivamente não é legal.


Creio que tal fascínio seja compreensível a todos, uma laranja, de fato, é bem menos laranja que uma cenoura assim como um mamão é bem mais laranja que uma laranja e também não é chamado de laranja. E digo mais, Marias, Pedros, brasileiros e muitos outros, ao contrário do que dizem aqueles sites de significados de nomes, não são iguais e determinantemente possuem potencial; personalidade e garra imensamente variáveis; Assim como as variedades de coloração que possuem as cenouras e as laranjas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Delírios de um nada


No vazio da multidão espero

À espreita, espero...

Busco olhos e os encontro

Vazio, quietos, esperando...

Então volto-me par mim

Para a íntima insignificância

Tudo negro,

Machucado,

Pobre...e podre.

A indagação é inevitável...

O vazio também ...

Pessoas passam por mim,

Figuras passam por mim

...Nada passa por mim.

Uma cascata de sonhos mortos caem,

Caem sobre a pútrida matéria viva

O fétido cheiro da covardia se espalha,

Vazio...

À espreita...

Quieto...

Saio do abismo de mim,

Um turbilhão destroça-me...

As mágoas parecem minhocar do nada,

Do vazio...

Da espera...

Da quietude...

Tudo é impudente.

A nostalgia é inevitável

E como um náufrago a um naco se agarra

Prendo -me a mim

E numa introspecção

(Quase que covarde)

Mantenho-me só

Protegendo-me do corriqueiro,

Ausentando-me da sanidade,

Evitando os humanos vermes...

Escondendo-me de mim...

O buraco negro é cada vez maior

E em minha vazia pequenez espero,

Quieto, espero

Quieto...

Espero quieto

Graziely R. Lemes