quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Delírios de um nada


No vazio da multidão espero

À espreita, espero...

Busco olhos e os encontro

Vazio, quietos, esperando...

Então volto-me par mim

Para a íntima insignificância

Tudo negro,

Machucado,

Pobre...e podre.

A indagação é inevitável...

O vazio também ...

Pessoas passam por mim,

Figuras passam por mim

...Nada passa por mim.

Uma cascata de sonhos mortos caem,

Caem sobre a pútrida matéria viva

O fétido cheiro da covardia se espalha,

Vazio...

À espreita...

Quieto...

Saio do abismo de mim,

Um turbilhão destroça-me...

As mágoas parecem minhocar do nada,

Do vazio...

Da espera...

Da quietude...

Tudo é impudente.

A nostalgia é inevitável

E como um náufrago a um naco se agarra

Prendo -me a mim

E numa introspecção

(Quase que covarde)

Mantenho-me só

Protegendo-me do corriqueiro,

Ausentando-me da sanidade,

Evitando os humanos vermes...

Escondendo-me de mim...

O buraco negro é cada vez maior

E em minha vazia pequenez espero,

Quieto, espero

Quieto...

Espero quieto

Graziely R. Lemes